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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Chuveiro na Irlanda

Ainda falando sobre higiene pessoal, vale mencionar os (malditos) chuveiros... Sim, às vezes tenho a impressão de que vivemos na Idade Média!

Ao contrário de outros países europeus, o Reino Unido (e a Irlanda, uma vez que essa importa quase todos os produtos e serviços de lá) estão anos-luz atrás quando se fala de água quente, chuveiro e afins.

Funciona assim: se o seu chuveiro não for elétrico, você deve usar um sistema eletrônico (ou manual) a gás para aquecer a água no que é chamado de boiler (um tipo de caldeira). É basicamente um botijão gigante (que vai do piso ao teto) e que aquece e mantem a água aquecida por certo tempo.
Modelo de chuveiro elétrico tipicamente usado na Irlanda e Reino Unido. source

O problema é que não é tão rápido assim para aquecer a água. Dependendo do boiler, pode levar apenas 15 minutos e você já terá água suficiente para um banho rápido, se a menina for lavar o cabelo aí dobre para 30 minutos. Alguns demoram mais, aqui em casa temos que esperar no mínimo 1 hora antes de ter água quente suficiente para tomar banho, lavar louça e etc! 

O lado bom é que os novos sistemas podem ser programados para ligar e desligar em determinados horários do dia, fornecendo assim água quente o dia inteiro além de manter a casa aquecida uma vez que o sistema de aquecimento das casas e da água é o mesmo. O problema, porém, vem quando o sistema é manual, ai cabe a você ir lá e ligar o boiler. Para tomar banho de manhã, há os coitados que acordam de madrugada na casa gelada, ligam o bendito e voltam para cama para depois, quando acordar para valer, poder escovar os dentes e tomar banho com água quente! Complicação hein?! Nesse ponto, sou mais o Brasil! hahaha
Expectativa de um boiler eletrônico, ele, de fato, toma todo o espaço da dispensa. source

Vale lembrar que esse sistema é a gás e a manutenção deve ser feita anualmente para sua segurança! Caso sinta cheiro de gás, abra as portas e janelas (mesmo no frio!) e ligue para a Bord Gáis imediatamente e informe o ocorrido. Mais detalhes no site da Bord Gáis Networks, empresa fornecedora de serviços de gás na Irlanda.
Normalmente os botijões são desse tipo, mesmo os eletrônicos. Os manuais
são peças de museu. source
Assim dá para entender o porquê de eles não gostarem tanto de banho e eu confesso que é difícil mesmo quando a casa está gelada ou você está com pressa e sono e tomar banho gelado aqui é tortura medieval :D

Até a próxima!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

1 ano na Irlanda, o que aconteceu?

Olá!!!

Nossa, UM ANO! Exatamente a essa hora, um ano atrás eu estava colocando meus pés em solo irlandês sem fazer ideia do que viria pela frente. Era o começo de um sonho se realizando e com ele muitas coisas boas, outras nem tanto, muitos desafios e muitas lições. Um novo mundo se abria diante de mim, era como nascer do novo, só que grande! Um novo idioma faria parte da minha vida e foi assim que eu vim, preparado para o que a Ilha Verde tinha guardado para mim.
Esse um ano daria um livro, mas eu só tenho um post para compartilhar com vocês e eu relembrar os acontecimentos mais relevantes nesse último ano.

A chegada depois de looooonga viagem e sem ideia do que viria pela frente.
Depois de 1, 2 e até 3 despedidas, um voo praticamente eterno e toda a ansiedade, insegurança e tudo mais, o que mais queremos é chegar em casa, mesmo que essa seja por apenas alguns dias. De cara eu não tinha traslado, muito menos residência. Esse foi o primeiro problema mas que foi resolvido e em dez tinha eu  já tinha uma casa alugada onde estou até hoje. De lá para cá foram várias decepções com empregos que não me pagaram, com outros que só querem explorar estudantes. Fiz grandes amigos, conheci muitas pessoas dos quatro cantos do mundo e do meu país também, muitos dos quais já se foram.

Os primeiros meses foram os mais difíceis, no começo tudo é novidade e para está no Brasil fica a saudade, a mãe que chora, o peso nas costas da saída até a chegada aqui. Mas nem tudo foi legal e depois de 3 meses eu desanimei, já não sabia mais o que fazer mas persisti. E com exatos 5 meses eu encontrei um emprego "de verdade", o qual só aguentei ficar um mês, tal era o tratamento  de escravo rei que tínhamos lá. E se tivesse que voltar, eu voltaria. Ao menos tinha tentado! Mas enfim, com mais um tempo encontrei  a vaguinha tao esperada onde estou até hoje, e feliz!

Um dos meus maiores desafios foi aceitar meu sub-emprego, a gente vem preparado para o que der e vier, mas eu não aceitei de cara ser housekeeper. Eu não me conformava, não queria e pensava que se fosse o caso, eu também voltaria. Sem contar que no Brasil eu só levantava caneta e me esforçava apenas para traduzir e/ ou interpretar. Aqui eu tenho que fazer camas, passar aspirador e deixar os quartos impecáveis para os hóspedes. O resultado é que aos poucos eu fui aprendendo, me virando a aceitei meu emprego! Hoje eu já dou até treinamento. Ok, continuo no sub-emprego, mas isso só me fez crescer! Hoje eu me vejo como uma pessoa madura e estou pronto para quaisquer desafios que apareçam. Eu aprendi algo que eu nunca fiz do zero e hoje eu me orgulho de saber limpar, de saber de virar, de pagar meu aluguel, minhas contas e poder comprar as minhas coisas, viajar, foi minha plena independência que eu conquistei.

Aprendi a lidar mais com as pessoas, respeitá-las mais, compartilhar mais. A gente aluga casa e divide para baixar o aluguel, embora não divida meu quarto a casa é área comum. No começo é tudo tão legal e seus amigos acabam sendo sua família. Aos poucos é natural (e eu quis assim) ir se desligando do Brasil, das pessoas no Brasil e se adaptar à sua vida na Irlanda. Porém nem tudo é perfeito e os atritos acontecem, seja pelo lixo, pela louça, pelas contas, pelo aquecedor, pelo barulho. E a gente tem respeitar, falar e essa relação acaba terminando em briga ou aquela amizade tão forte se desgasta em pouco tempo. A gente sofre, passa por situções difíceis, fica de escanteio, param de falar com você e vendo sua cara todo dia. Mas passa e tudo volta ao normal (ou não) e a experiência de vida fica! Mas nem tudo é 'negativo', fazemos grandes amigos que levaremos para sempre, que são como irmãos, que estão sempre ali para ouvir, para conversar, para dar conselhos e até dar aquele sermão e às vezes você é quem faz a vez de irmão mais velho. Até o desapego a gente pratica, nossos amigos brasileiros ou não, não tem o mesmo objetivo que você. Uns ficam mais, outros menos e quem fica aprende a lidar com sentimentos como saudade, tristeza e solidão. A vida é assim, e aqui é mais ainda.

Como intercâmbio são altos e baixos, eu tive vários altos voos. Tive a oportunidade de fazer algo que gosto muito: Viajar! Em um ano apenas estive na Escócia, na Inglaterra (duas vezes), na Espanha e na Irlanda do Norte. Além de ter ido para o interior da Irlanda e visitado alguns pontos próximos de Dublin. E foi pouco! Ainda tem muito para conhecer ;)

E o inglês, melhorou?
Acho que essa é a pergunta que não quer calar! Bom, eu estudei inglês no Brasil por cinco anos consecutivos, sendo que três foram na faculdade de Tradução e Interpretação. Eu me formei e vim melhorar, em vez de aprender a falar inglês, porém há sempre o que aprender, saibam disso. Eu me virei muito bem aqui e com o tempo eu fui aprendendo novas palavras, expressões, aguçando o ouvido e falando com mais naturalidade, sobretudo depois que comecei a trabalhar. Hoje eu sei que melhorou muito, MAS eu perdi a noção do quanto melhorou por usá-lo diariamente. Às vezes é difícil entender o que eles falam, especialmente quando são nativos, mas TV, rádio ou quando falam comigo eu entendo muito bem. Talvez saindo daqui por uns dias para um país que não fale inglês, eu perceba melhor o avanço. Portanto, tenha amigos brasileiros SIM, mas faça o possível para praticar o seu inglês em outros ambientes.

Hoje eu estou mais feliz aqui do que com os dias da minha vida monótona que era no Brasil. Em um ano, apenas um ano, tudo isso e muito mais se passou e passou voando. Minha mãe sempre disse que o mundo ensina, e ensina mesmo! Eu estou aprendendo e tirando nota alta (eu acho! rs) e por isso, eu bati o martelo e resolvi: Fico aqui na Irlanda!

Eu termino o post em um dos meus locais preferidos um ano depois, Howth.
Agora, mais do que nunca, me considero cidadão do mundo!

Para quem quiser acompanhar:

Até a próxima!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

3 meses de Irlanda, o que aconteceu?

Faz pouco mais de três meses que cheguei aqui em Dublin. Falei das primeiras impressões e elas mudaram. Aliás foi muito bom ter feito isso, recomendo que vocês escrevam tudo antes de sair do Brasil, assim que chegarem aqui e depois de um tempo leiam.

Estou desapontado com o rumo dos acontecimentos!
Pronto, falei! Mas calma, vou explicar o porquê! Nesses três meses eu aprendi muito, aprendi a sair de situações bem complicadas como quando cheguei aqui, conheci o interior do país, viajei para a Escócia, conheci a neve e até sofri uma decepção.

Mas, infelizmente, eu não estou vendo objetivo nenhum em estar aqui e até o momento eu sinto que nadei e morri na praia. Não estou melhorando meu inglês porque eu moro e estudo com brasileiros (há muitos aqui) por motivos óbvios, não encontrei trabalho (embora tenha procurando e deixado mais 500 cvs), não fiz amizades com os locais e consequentemente só estou gastando meu dinheiro sem recuperar nada do que investi para estar aqui. O resultado é que eu cansei de procurar, desanimei e nem saio mais de casa. Não só eu como meus mates, acho que isso é contagioso :(

Não estou conseguindo cumprir nenhum dos meus objetivos e já resolvi: se nada acontecer até o fim do curso farei meu discurso de despedida e voltarei ao Brasil. Não que queira, mas... isso é meio frustrante, mas eu fiz a minha parte.


Estou aprendendo a conviver com pessoas completamente diferentes, a ser mais paciente do que já sou, a respeitar mais, mas tenho muito a aprender, nada como um dia após o outro. Estou aproveitando na medida do possível o que a ilha verde tem a oferecer, seu clima maravilhoso (ok, eu sou louco!) e as pessoas daqui que são muito gentis.

Vou continuar correndo atrás, com 6 meses eu conto a minha Irish Experience :)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Por que fazer intercâmbio?

"Para se fazer intercâmbio não basta saber apenas um idioma, precisa-se aprender muito mais sobre si mesmo e sobre o outro, sobre a arte do encontro." 

Hoje falarei novamente sobre um texto com ótimos motivos para se fazer intercâmbio. Já falei desse assunto, mas inteiramente do meu ponto de vista e é interessante como em pouco tempo algumas questões mudam , outras não, mas é ótimo olhar para trás e ver quanto você melhorou. Medo, insegurança, incerteza, tudo isso é normal para quem embarca rumo ao exterior, mas há muitos outros motivos para deixar tudo isso de lado e enfrentar o desafio e obter reconhecimento no mercado, além do crescimento pessoal que a experiência pode trazer.
"A viagem é a arte do encontro: encontro consigo mesmo!". Busco também me encontrar pessoal e profissionalmente, ser mais independente e expor o meu ponto de vista de uma experiência no exterior. De quebra melhoro o inglês que, afinal, é o principal objetivo! Disso tudo podemos concluir que deixamos para trás uma parte de nós e não voltamos os mesmos.

O texto vale a pena, foi escrito por uma psicóloga especialista em intercâmbio, clique aqui e confira!

Até a próxima