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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

1 ano na Irlanda, o que aconteceu?

Olá!!!

Nossa, UM ANO! Exatamente a essa hora, um ano atrás eu estava colocando meus pés em solo irlandês sem fazer ideia do que viria pela frente. Era o começo de um sonho se realizando e com ele muitas coisas boas, outras nem tanto, muitos desafios e muitas lições. Um novo mundo se abria diante de mim, era como nascer do novo, só que grande! Um novo idioma faria parte da minha vida e foi assim que eu vim, preparado para o que a Ilha Verde tinha guardado para mim.
Esse um ano daria um livro, mas eu só tenho um post para compartilhar com vocês e eu relembrar os acontecimentos mais relevantes nesse último ano.

A chegada depois de looooonga viagem e sem ideia do que viria pela frente.
Depois de 1, 2 e até 3 despedidas, um voo praticamente eterno e toda a ansiedade, insegurança e tudo mais, o que mais queremos é chegar em casa, mesmo que essa seja por apenas alguns dias. De cara eu não tinha traslado, muito menos residência. Esse foi o primeiro problema mas que foi resolvido e em dez tinha eu  já tinha uma casa alugada onde estou até hoje. De lá para cá foram várias decepções com empregos que não me pagaram, com outros que só querem explorar estudantes. Fiz grandes amigos, conheci muitas pessoas dos quatro cantos do mundo e do meu país também, muitos dos quais já se foram.

Os primeiros meses foram os mais difíceis, no começo tudo é novidade e para está no Brasil fica a saudade, a mãe que chora, o peso nas costas da saída até a chegada aqui. Mas nem tudo foi legal e depois de 3 meses eu desanimei, já não sabia mais o que fazer mas persisti. E com exatos 5 meses eu encontrei um emprego "de verdade", o qual só aguentei ficar um mês, tal era o tratamento  de escravo rei que tínhamos lá. E se tivesse que voltar, eu voltaria. Ao menos tinha tentado! Mas enfim, com mais um tempo encontrei  a vaguinha tao esperada onde estou até hoje, e feliz!

Um dos meus maiores desafios foi aceitar meu sub-emprego, a gente vem preparado para o que der e vier, mas eu não aceitei de cara ser housekeeper. Eu não me conformava, não queria e pensava que se fosse o caso, eu também voltaria. Sem contar que no Brasil eu só levantava caneta e me esforçava apenas para traduzir e/ ou interpretar. Aqui eu tenho que fazer camas, passar aspirador e deixar os quartos impecáveis para os hóspedes. O resultado é que aos poucos eu fui aprendendo, me virando a aceitei meu emprego! Hoje eu já dou até treinamento. Ok, continuo no sub-emprego, mas isso só me fez crescer! Hoje eu me vejo como uma pessoa madura e estou pronto para quaisquer desafios que apareçam. Eu aprendi algo que eu nunca fiz do zero e hoje eu me orgulho de saber limpar, de saber de virar, de pagar meu aluguel, minhas contas e poder comprar as minhas coisas, viajar, foi minha plena independência que eu conquistei.

Aprendi a lidar mais com as pessoas, respeitá-las mais, compartilhar mais. A gente aluga casa e divide para baixar o aluguel, embora não divida meu quarto a casa é área comum. No começo é tudo tão legal e seus amigos acabam sendo sua família. Aos poucos é natural (e eu quis assim) ir se desligando do Brasil, das pessoas no Brasil e se adaptar à sua vida na Irlanda. Porém nem tudo é perfeito e os atritos acontecem, seja pelo lixo, pela louça, pelas contas, pelo aquecedor, pelo barulho. E a gente tem respeitar, falar e essa relação acaba terminando em briga ou aquela amizade tão forte se desgasta em pouco tempo. A gente sofre, passa por situções difíceis, fica de escanteio, param de falar com você e vendo sua cara todo dia. Mas passa e tudo volta ao normal (ou não) e a experiência de vida fica! Mas nem tudo é 'negativo', fazemos grandes amigos que levaremos para sempre, que são como irmãos, que estão sempre ali para ouvir, para conversar, para dar conselhos e até dar aquele sermão e às vezes você é quem faz a vez de irmão mais velho. Até o desapego a gente pratica, nossos amigos brasileiros ou não, não tem o mesmo objetivo que você. Uns ficam mais, outros menos e quem fica aprende a lidar com sentimentos como saudade, tristeza e solidão. A vida é assim, e aqui é mais ainda.

Como intercâmbio são altos e baixos, eu tive vários altos voos. Tive a oportunidade de fazer algo que gosto muito: Viajar! Em um ano apenas estive na Escócia, na Inglaterra (duas vezes), na Espanha e na Irlanda do Norte. Além de ter ido para o interior da Irlanda e visitado alguns pontos próximos de Dublin. E foi pouco! Ainda tem muito para conhecer ;)

E o inglês, melhorou?
Acho que essa é a pergunta que não quer calar! Bom, eu estudei inglês no Brasil por cinco anos consecutivos, sendo que três foram na faculdade de Tradução e Interpretação. Eu me formei e vim melhorar, em vez de aprender a falar inglês, porém há sempre o que aprender, saibam disso. Eu me virei muito bem aqui e com o tempo eu fui aprendendo novas palavras, expressões, aguçando o ouvido e falando com mais naturalidade, sobretudo depois que comecei a trabalhar. Hoje eu sei que melhorou muito, MAS eu perdi a noção do quanto melhorou por usá-lo diariamente. Às vezes é difícil entender o que eles falam, especialmente quando são nativos, mas TV, rádio ou quando falam comigo eu entendo muito bem. Talvez saindo daqui por uns dias para um país que não fale inglês, eu perceba melhor o avanço. Portanto, tenha amigos brasileiros SIM, mas faça o possível para praticar o seu inglês em outros ambientes.

Hoje eu estou mais feliz aqui do que com os dias da minha vida monótona que era no Brasil. Em um ano, apenas um ano, tudo isso e muito mais se passou e passou voando. Minha mãe sempre disse que o mundo ensina, e ensina mesmo! Eu estou aprendendo e tirando nota alta (eu acho! rs) e por isso, eu bati o martelo e resolvi: Fico aqui na Irlanda!

Eu termino o post em um dos meus locais preferidos um ano depois, Howth.
Agora, mais do que nunca, me considero cidadão do mundo!

Para quem quiser acompanhar:

Até a próxima!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Voltei! E com novidades :)

Olá!!

Desculpem mesmo pela demora em postar! Mas como disse no post anterior acabei de encontrar trabalho na Irlanda depois de 5 longos meses entregando currículos e enviando pela internet e isso tomou muito tempo e esgotou toda e qualquer força de chegar em casa e ir para o PC.

Um belo dia estava trabalhando também (na verdade o primeiro dia) entregando panfleto quando recebi uma ligação, para minha sorte era para marcar uma entrevista e no dia seguinte eu fui. A entrevista foi bem simples, perguntaram há quanto tempo estava aqui, minha experiência no Brasil e quando poderia começar. Por fim, falaram da vaga. O mais importante foi causar uma boa impressão, sempre vá nas entrevistas vestido formalmente e com isso eu consegui com o comentário "a primeira impressão é a que fica". No dia seguinte eu estava fazedo trabalho voluntário (e isso será outro post) e ligaram pedindo referência NA IRLANDA. E forneci a do meu trabalho voluntário. Quize minutos depois a vaga era minha!
A rotina fora de casa faz pensar qual caminho seguir. source
Mas o que você faz?
Sou accommodation assistant em um hotel ou em português claro, camareiro. Fui treinado por uma polonesa (e é só o que tem lá tirando mais quatro brasileiros). As funções são arrumar o quarto e deixá-lo no padrão do hotel para os hóspedes. Barbada! Melhor de tudo é que full-time e vai me ajudar a tirar o pé da lama. Aliás, quase que eu volto para a terrinha, minha passagem estava marcada para amanhã, 15 de março e caso não tivesse encontrado emprego deixaria a ilha verde com coração partido.

Aos poucos voltarei a postar porque estou bem cansado fisicamente, mas como todos dizem lá, depois de três semanas você acostuma. Espero que sim porque minhas costas e braços estão cobrando. Haja Dorflex haha

Irish experience
É fato que a maioria quer/ precisa trabalhar, inclusive para enriquecer a experiência no exterior. O mais importante é vir com a mente aberta e depois que conseguir rever seus objetivos. Fora de casa a gente faz coisas que jamais faríamos no Brasil não importa seu nível de inglês (no meu caso é fluente) ou educacional (sou formado :). Isso faz você refletir e pensar se vale a pena, às vezes dá vontade de largar tudo e estar em casa, naquele momento. Depois passa... Enquanto tudo é novidade, maravilha, quando a rotina chega, começa a fase de analisar o que você quer depois, quanto tempo vai ficar nessa vida etc 
Às vezes eu acordo de madrugada e a "ficha cai" (antigo isso hein? rs), penso "que loucura, largar tudo e todos para estar aqui, sozinho." E na rotina você vê menos seus amigos, passa muito tempo ocupado e no meu caso, trabalho sozinho. A solidão é fato, basta saber lidar com ela e bola para frente que tem muito chão pela frente!

Aos que estão chegando, analisem bem o que querem e arrumem amigos para indicar ou referência na Irlanda. Não achei ninguém para me indicar, corri atrás, me voluntariarei e assim saí na frente :)

Abraços e até a próxima! 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Convivência com outras pessoas

Olá a todos!

Esse é um tópico de desabafo e lição de vida. Quando a gente sai de casa, ainda mais para fazer um intercâmbio, já imagina (ou deveria) o desafio que vem pela frente. Analise se você mora com os pais, sozinho, é casado, solteiro, divorciado?

Eu morava com meus pais, basicamente tinha tudo e não precisava fazer nada em casa, mas fazia. Chegando na Irlanda, tudo foi novidade, todos são amigos, tudo é maravilhoso. Depois de alugar uma casa em Dublin, fui dividir e no começo as regras funcionaram, tudo beleza. Com o tempo, mais de três meses, a relação desgasta, as regras começam a cair e temos que conversar.

A convivência passa a ser um desafio, pois ter amigos é bem diferente de conviver com pessoas que nunca fizeram parte da sua vida, que são apenas conhecidos do quarto ao lado com quem a relação de amizade pode se desgastar bem rápido e acabar mesmo como colegas que dividem a casa ou podem ser amigos para sempre. Tudo depende.

Flatmates, dividem  casa para baixar custos e abrem mão de muita coisa. Uma boa relação custo x benefício? source

Infelizmente, por um motivo fútil, que não vem ao caso, uma das flatmates ficou uma semana sem falar comigo. Uma pena e uma situação chata, seria mais sensato falar o que aconteceu, conversar e resolver a situação. No caso das regras, é claro que coisas bobas que você não fazia em casa, viram um grande problema. Afinal, aquele prato do jantar que você deixava para o dia seguinte não pode mais, é tudo na hora em respeito aos seus colegas, mas nem todos respeitam. E a ida ao supermercado, quando é dividido? Colocar o lixo na rua de madrugada, limpar a casa, não fazer barulho, limpar o quintal, etc e também o fato de não respeitar o espaço do outro, embora eu não tenha tido problemas com isso tenho amigos que tiveram.

Tudo isso são pequenos detalhes que fazem uma diferença enorme. A relação já foi discutida, puxões de orelha foram dados e tomados. Mas isso faz parte da Irish Experience, a gente cresce e aprende com o mundo e acima de tudo, dá muito valor a tudo que tivemos em casa. Tenho que agradecer aos meus pais por tudo que me deram e ofereceram por vinte e cinco anos :)

Até a próxima!